O ser e o sufrágio

Deparo-me sempre com muitas pessoas queixando-se da conjuntura política atual. Diversas chegaram a cativar atritos tão profundos que declaram, agora, alguns até com orgulho, não mais terem interesse no assunto. É esta degradação da valorização da democracia por grande parte da população que me preocupa.
É tido no Brasil o voto como obrigatório para considerável parte dos nacionais e dos brasileiros naturalizados, quais sejam maiores de dezoito e menores setenta anos, multando, num baixíssimo valor, quem não o realizar (salvo em casos devidamente justificados) e facultativo para os analfabetos, os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos e os maiores de setenta anos. Há quem diga preferir pagar a multa em vez de ir votar num domingo, que considere esta decisão uma forma de protesto a questões como corrupção, candidatos tradicionais e semelhantes, falta de representatividade, etc.
Apesar do Tribunal Superior Eleitoral vir tentando motivar, desde muito tempo, a população a votar, a indignação e, como possível consequência desta, o desinteresse pela política tem forte manifestação no itinerário dos brasileiros. Obviamente não nego o fato da deterioração do método político, da escassez de divergências em vários assuntos e da seriedade com a qual se deveria ser enfrentada a gestão pública.
Então, meu caro leitor, diante de todos esses problemas para os quais se possui tamanha desesperança e impaciência, por qual motivo devemo-nos importar com a política?
Além de outros motivos pertinentes, devo resumir um deles, qual é crucial, o máximo possível: nossas vidas dependem diretamente das atitudes de quem elegemos.
A parte do poder público que é composta pelos cargos preenchidos através do sufrágio tem competência para promulgar leis, portarias, decretos, programas sociais, emendas constitucionais, entre outras coisas, criar políticas econômicas, indicar secretários, ministros e outros cargos públicos, e, além de muitas outras coisas não citadas aqui, definir, mesmo que limitada por lei, como será usada esmagadora parcela do dinheiro público, que é proveniente dos tributos pecuniários impostos pelo Estado. Em suma: os agentes políticos definem o rumo da nação da qual você faz parte e exercem direta influência sobre sua vida (aumento ou diminuição de impostos, regulamentação de atos diversos, orçar gastos públicos, etc). No Brasil muitas atribuições estão nas mãos do poder público: depende-se absurdamente das ações de nossos respectivos agentes públicos para melhoria de demasiados aspectos de nossas vidas.
Inverto aqui a pergunta: se tão poucos decidem o destino de tantos, qual o motivo para não se importar com a política?

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